segunda-feira, 16 de abril de 2007

A um Deus das Lacunas é atribuída a responsabilidade pelo que ainda não compreendemos

"Hipócrates de Cós é o pai da medicina. Ele é ainda lembrado, 2500 anos depois, por causa do juramento hipocrático (uma forma alterada desse juramento ainda é repetida, em alguns lugares, pelos estudantes de medicina no momento de sua formatura). Mas ele é celebrado sobretudo por seus esforços para arrancar a medicina do terreno da superstição e trazê-la à luz da ciência. Numa passagem típica, Hipócrates escreveu: “Os homens acham a epilepsia divina, simplesmente porque não a compreendem. Mas se chamassem de divino tudo o que não compreendem, ora, as coisas divinas não teriam fim”. Em vez de reconhecer que em muitas áreas somos ignorantes, temos nos inclinado a dizer, por exemplo, que o Universo está impregnado com o inefável. A um Deus das Lacunas é atribuída a responsabilidade pelo que ainda não compreendemos. Como o conhecimento da medicina tem se desenvolvido desde o século IV a.C., cada vez mais aumenta o que compreendemos e diminui o que tinha de ser atribuído à intervenção divina – a respeito das causas ou do tratamento da doença. As mortes na hora do parto e a mortalidade infantil decresceram, o tempo de vida foi prolongado, e a medicina melhorou a qualidade de vida para bilhões de seres humanos em todo o planeta."

Carl Sagan


Bom, muita gente acredita que religião, política e futebol são se discutem. Pois estão aí talvez meus temas favoritos!
Quem já conversou um pouco comigo já sabe do meu ceticismo em relação a tudo, inclusive em relação a própria ciência.
É favorável aos que temem ter verdades derrubadas, dizer que religião não se discute, pois se discute sim, e muitas teses caem, e em geral até a razão de existir fica sem sentido.
Defendo a bandeira de que "A religião é o ópio do povo", acho a definição de Marx brilhante, pois é o ópio, o narcótico que alivia a dor. E quem entre todos nós não se pergunta sobre o futuro, o passado, de onde viemos e para onde vamos? Alguns poupam-se do trabalho de pensar, e aceitam as explicações religiosas dessa ou daquela corrente.
Admiro aqueles que dentro ou fora de uma religião, não perdem o espírito questionador. O método científico sem dúvidas não é o senhor da verdade, mas sem dúvida, é uma tentativa dentro dos limites humanos, de organizar e desenvolver idéias, de observar a natureza, elaborar teorias e buscar sua aplicabilidade. A ciência cresce de erro em erro, mas a humildade científica é o mais impressionante. Ao ter uma teoria quebrada, um cientista pode se decepcionar, mas logo vai atrás dos novos rumos, das novas respostas, e talvez isso seja o diferencial, não persistir nos erros.
Muitos devem estar se perguntando... poxa, ele não acredita em Deus?
Bom, acredito sim! Mas pego um gancho agora no grande Carlos Drummond de Andrade, que tão bem traduziu o que penso.

"Considero-me agnóstico. Sou uma pessoa que não tem capacidade intelectual e competência para resolver o problema infinito que é se existe ou não existe uma divindade."

"Muitas pessoas usam, erroneamente, a palavra agnosticismo com o sentido de "ateísmo fraco" e usam a expressão "Ateísmo" apenas com o significado de "ateísmo ativo" (que afirma categoricamente a inexistência de Deus). O problema é que não se pode estabelecer realmente a crença de alguém simplesmente pelo fato de ele se intitular agnóstico. Pode haver, por exemplo, um teísta agnóstico que considere impossível descobrir por meio da razão se Deus realmente existe, mas que afirme crer em deus (ou deuses) por meio da fé. Há também aquele que não crê na existência dos deuses conforme descritos pelas religiões, mas acreditam na possibilidade de existência de um outro tipo de entidade sobrenatural (estes são comumente chamados de "deístas").

O agnóstico, à primeira vista, opõe-se não propriamente a Deus, mas sim à possibilidade de a razão humana conhecer tal entidade (gnose tem a sua origem etimológica na palavra grega que significa «conhecimento»). Para os agnósticos, assim como não é possível provar racionalmente a existência de Deus, é igualmente impossível provar a sua inexistência, logo, constituindo um labirinto sem saída a questão da existência de Deus, não se deve colocar sequer como problema, já que nenhuma necessidade prática nos impele a embrenharmo-nos em tal tarefa estéril." Wikipédia

Em resumo, sou a favor de deixarmos a questão religiosa de lado, acho que essa é uma nuvem de fumaça que por muito tempo vai atrasar a evolução da humanidade. Que tenhamos coragem de admitir nossa incapacidade em definir o que a vida, ou o fim dela, nos reserva. Vamos procurar explicações racionais para os fenômenos que nos cercam, as experiências "sobrenaturais" sem dúvida podem ser explicadas.
Somos menos que um grão de areia no deserto, somos habitantes de 1 planeta entre bilhões de trilhões de outros.
Para mim, Deus, ou seja lá o nome que lhe melhor convier, seria o ponto de partida de tudo, aceito o propósito de criador, e não o defino como uma forma sobre-humana, um fênomeno natural, ou qualquer outra coisa, apenas é o único lugar lógico que consigo encontrar para sua existência.
Penso que nossos esforços como seres pensantes em busca de respostas deveriam se direcionar a uma simples e clara definição, o "Cosmos". Que Sagan bem definiu como:

"O COSMOS É TUDO O QUE EXISTE, QUE EXISTIU OU QUE EXISTIRÁ."

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